Resumidamente: o country manager é um pequeno CEO de um país. Não responde por um canal nem por um departamento, mas pelo P&L do mercado: pagamentos locais, idioma do suporte, regulação local, marketing e a equipa no terreno. A faixa em Malta e no Chipre vai de €4.5–6K à entrada até €15–22K para um diretor regional, mais um bónus anual de 30–100% do salário base. O requisito-chave não é um diploma, mas conhecer realmente o país.

A maioria das funções no gambling está organizada na vertical: há CRM, há afiliados, há pagamentos, e cada um tem a sua fatia. O country manager está organizado na transversal — pega num país e responde por ele por inteiro. Se a marca falhou no Brasil, a culpa não é do media buyer nem do product manager: quem vai ter de prestar contas é o country manager. É uma função rara e cara — vemos o que está por trás dela.

O que faz um country manager

Formalmente — «estratégia de entrada e crescimento no mercado atribuído». Na prática, são quatro conversas que tem todas as semanas:

  • Com o produto — sobre localização. No Brasil, metade dos depósitos passa pelo Pix, na Índia pelo UPI, na Turquia por transferências locais, e sem eles simplesmente não há mercado. Somam-se os desportos locais (críquete em vez de futebol) e os jogos que lá se jogam de facto.
  • Com os juristas e o compliance — sobre as regras. O que se pode mostrar na publicidade, que bónus são permitidos, que dados recolher na verificação. Em cada país é diferente, e um erro custa a licença, não uma multa.
  • Com o marketing e os afiliados — sobre aquisição. Que canais funcionam neste mercado, quanto custa um jogador, que parceiros locais e streamers trazem tráfego.
  • Com a sede — sobre dinheiro. Uma vez por trimestre chega com números: quanto se investiu, quanto voltou, porque é que o mercado cresce mais devagar do que o plano e o que é preciso para acelerar.

Uma parte à parte do trabalho é a equipa. Num mercado maduro, o country manager tem 5–30 pessoas a reportar-lhe: marketing local, suporte na língua do país, por vezes um CRM próprio. Num mercado novo é muitas vezes o primeiro e único funcionário, e nos primeiros seis meses contrata ele próprio.

A semana de um country manager

SEGNúmeros da semana: depósitos, base ativa, conversão de registos, taxa de pagamentos bem-sucedidos por fornecedor. Tudo o que caiu vai para a lista de perguntas.
TERProduto: prioridades do sprint. Um método de pagamento local, a tradução da interface, o lançamento de um fornecedor de jogos de que esse mercado gosta.
QUAParceiros: afiliados, streamers, media local. Condições, disputas sobre pagamentos, novas parcerias.
QUIEquipa e recrutamento: entrevistas para o suporte local, one-on-one com o marketing, análise das reclamações de jogadores que chegaram à escalada.
SEXRelatório para a sede e defesa do orçamento do mês seguinte. Aqui a função parece exatamente o trabalho de um diretor-geral — só que de um país, não de uma empresa.

KPI: pelo que respondes

O country manager não tem uma «métrica sua» como o NGR da carteira de um VIP manager ou o ROAS de um media buyer. Tem um P&L, e dentro dele está tudo ao mesmo tempo:

  • NGR do mercado e quota de mercado — o número principal, ao qual está ligado o bónus anual.
  • CAC e ROI — quanto custa um jogador e em quantos meses se paga.
  • Crescimento de base ativo — não os registos, mas quem joga e volta.
  • Regulação — cumprimento dos requisitos da licença e das regras locais de publicidade. A métrica é binária: ou está tudo limpo, ou o resto da lista deixa de ter importância.
Em que difere de um Head of Marketing: o marketing responde por um canal em todos os países, o country manager por um país em todos os canais. Por isso o KPI do primeiro é o custo de aquisição, enquanto para o segundo o marketing é apenas uma das alavancas, a par dos pagamentos, do produto e do suporte.

Quanto ganha um country manager

Faixas por região e nível — da nossa ficha de profissões, valores brutos por mês:

NívelMalta, ChiprePolónia, Roménia, Países BálticosRemoto, Tbilisi, Yerevan
Entrada, mercado pequeno€4.5–6K€3.5–4.8K€3–4.2K
Middle, mercado em crescimento€7–9.5K€5.5–7.5K€4.8–6.8K
Senior, mercado grande€10–14K€8–11K€7–10K
Regional Director€15–22K€12–17K€11–15K

Por cima — um bónus anual de 30–100% do salário base consoante os resultados do mercado; ao nível de diretor regional juntam-se com frequência opções ou participação nos lucros. Para comparação: Head of Casino em Malta ganha €8–11K ao nível middle, Head of Affiliates — €5–7K ao nível senior. O country manager fica entre um diretor funcional e a gestão de topo: abaixo do COO (€12–16K ao nível middle), mas acima de qualquer responsável por uma área isolada.

O que puxa a faixa salarial para cima: a dimensão do mercado (o Brasil é mais caro do que a Croácia), a fase (um lançamento do zero paga melhor do que manter um mercado maduro) e a raridade da combinação de idiomas. Um gestor com turco, vietnamita ou português do Brasil e experiência em gambling é um perfil raríssimo.

Que mercados estão a contratar agora

A 13 de setembro de 2026, o SpinHire tem 15 vagas abertas de country manager, e a geografia dos pedidos diz mais sobre o mercado do que qualquer previsão. Contratam para o Vietname, Nova Zelândia, Turquia, Dinamarca e Suécia, DACH, Grécia, Bélgica e Brasil — ou seja, para os mercados emergentes da Ásia e da América Latina, mais a Europa fortemente regulada, onde é preciso alguém que conheça as regras locais.

Ao mesmo tempo, oito das quinze posições estão sediadas em Malta: a estrutura típica — escritório em St. Julian's, mercado noutro hemisfério. Entre os empregadores — Betsson Group, Kaizen Gaming (Betano), Pragmatic Play, SkillOnNet, Brazino777. E mais um detalhe que explica muita coisa: nenhuma destas vagas publica a faixa salarial — ao nível do P&L, o salário é sempre discutido à parte.

Quem é contratado e como entrar

O requisito número um é formulado da mesma forma em todas as vagas: conhecimento do mercado. Não «idioma em C1», mas perceber como se paga nesse país, a que se joga, o que se considera publicidade normal e em quem lá se confia. Por isso, o mais comum é contratarem pessoas que cresceram nesse mercado ou lá viveram vários anos.

  1. Do marketing de mercado. O caminho mais frequente: a pessoa geriu a aquisição num país como Head of Marketing ou media buyer forte, já percebe a economia do jogador e aprende o produto e os pagamentos.
  2. Das operações e do CRM. Gerente de CRM ou um responsável de retention que respondia por um segmento do mercado conhece a base por dentro — só lhe faltam o orçamento e o recrutamento.
  3. Dos afiliados. Um responsável de afiliados costuma já ter uma rede de parceiros locais — metade do lançamento de um mercado novo.
  4. Do offline. Nos mercados novos contratam gestores de redes locais de casas de apostas: conhecem o jogador e o regulador, e a especificidade do online aprendem no terreno.

O que te vão perguntar na entrevista: como calculas o retorno da aquisição, que métodos de pagamento são obrigatórios no teu mercado e porquê, o que não se pode mostrar na publicidade segundo a lei local, como lançarias um país com um orçamento X e uma equipa de três pessoas. E, sem falta, porque é que o mercado anterior cresceu ou não cresceu. A função não exige certificações formais: olham para os números que geriste.

Para onde crescer

A progressão é curta e bem paga: country manager → Regional Director com um grupo de países → Managing Director de uma marca → COO. Na horizontal, passa-se para Head of Casino ou Head of Marketing — do P&L de um país para uma função inteira. Algumas pessoas, depois de dois ou três lançamentos, abrem o próprio projeto: a experiência de «pôr um mercado de pé do zero» está mais próxima disso do que qualquer outra função da indústria.

O reverso: se o teu único mercado foi proibido, terás de te readaptar a um país vizinho ou voltar a uma função. Por isso, os bons country managers acumulam ao longo da carreira dois ou três mercados bem diferentes.

As posições abertas ao nível de P&L estão na secção vagas (área «Alta direção», 462 posições hoje), e o perfil completo da função com responsabilidades, KPI e faixas salariais está na página do country manager.

Perguntas frequentes

Quanto ganha um country manager em iGaming?

Em Malta e no Chipre, a faixa vai de €4.5–6K à entrada até €10–14K para um gestor forte de um mercado grande e €15–22K ao nível de diretor regional. Na Polónia, Roménia e nos países bálticos — €3.5–4.8K à entrada e €8–11K ao nível senior; em remoto, €3–4.2K e €7–10K, respetivamente. Por cima, um bónus anual de 30–100% do salário base consoante os resultados do mercado.

Em que difere um country manager de um Head of Marketing?

O Head of Marketing responde por um canal de aquisição em todos os países; o country manager por um país inteiro: produto, pagamentos, suporte, marketing, regulação e P&L. O KPI do marketeer é o CAC e o volume de tráfego; o do country manager é o NGR do mercado e a sua quota, e o marketing é para ele apenas uma das alavancas.

É preciso viver no país pelo qual se responde?

Nem sempre, mas os empregadores preferem claramente candidatos que cresceram no mercado ou lá viveram vários anos. Metade das vagas funciona ao contrário: escritório em Malta ou no Chipre e mercado no Brasil, Vietname ou Turquia. O requisito, porém, mantém-se: o idioma do mercado a nível nativo e perceber como lá se paga e a que se joga.

De que funções se chega a country manager?

Sobretudo de três sítios: do marketing de mercado (Head of Marketing ou media buyer forte num país), das operações e do CRM, onde a pessoa já respondia por um segmento de jogadores, e da gestão de afiliados, onde há uma rede pronta de parceiros locais. Com menos frequência — do produto e de casas de apostas offline locais que passam para o online.

Como progride um country manager?

A progressão é curta e bem paga: country manager, Regional Director com um grupo de países, Managing Director de uma marca e depois COO. Na horizontal passa-se para Head of Casino ou Head of Marketing, e alguns saem para lançar o próprio projeto — a experiência de lançar um mercado do zero é o que mais se aproxima disso.

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